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CONCLUSÃO
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Cada livro, cada trabalho académico,
cada exposição quer literária, ou de outra forma qualquer, é
interpretada pelo modo de cada um a analisar.
A interpretação varia de pessoa para pessoa. Quando comecei a
passar para o papel as coisas que me iam na alma não sabia o que daí
viria a sair. Deixei-me de uma certa forma fluir no meu coração as
recordações que pareciam estar esquecidas, e, acreditem, estava longe
de encontrar o que escrevi. Este trabalho está longe do que
ainda tenho dentro de mim, mas como disse, precisava de me
“libertar" de um fardo”. Mas afinal acabei por ganhar outro bem
maior. Mas, comecei a olhar o Trinhão de maneira bem mais harmoniosa e
mais clara, olhei para todos e comecei a compreender
melhor as pessoas. Não vou tirar conclusões, mas
sim apresentar ou expor situações que merecem ser analisadas e dar
seguimento conforme a sua importância: De uma forma geral, devem ter
reparado que muitas vezes não me poupei a agradecimentos e
reconhecimentos por todos quanto me acompanharam. Esse sentido de vida
pouco tenho encontrado no Trinhão. Cada um dá à sua terra aquilo que
pode e é capaz, e tudo o que se dá nestas
condições é o essencial. Ninguém se deve menosprezar por não
ser capaz de fazer mais ou melhor, por vezes as condições não o
permitem, mas também é muito saudável sempre que o caso o obrigue o
reconhecimento publico do trabalho que cada um faz, quando os exemplos
dados são fora do comum, ou são símbolo para união das pessoas. Desta forma gostaria de encontrar algo exposto com os nomes dos fundadores do Trinhão, e, sem qualquer tipo de preconceito, um reconhecimento público pelo trabalho e devoção à terra ao meu irmão Anselmo Garcia Lopes.
Faço um apelo á disponibilidade
dos jovens para tentarem no mínimo tomarem consciência do que foi o
Trinhão e o que pode vir a ser. Não se devem ficar pela instituições,
organizações ou autarquias, mas sim recorrer à sua alma. Quando
muitas vezes se fala em alma, não se toma consciência desse termo, mas
a alma de uma povoação são as pessoas. Deixar que as suas raízes façam
parte integrante da sua personalidade é permitir que o seu vizinho do
lado, mesmo no Trinhão, ainda que tenha um carro superior ou inferior
ao seu, uma casa melhor ou pior, possa ser capaz de visitar o seu
vizinho, irem à adega de cada um, e acima de tudo falarem das suas
vidas e serem verdadeiros amigos. Os antigos nada tinham, mas nas
dificuldades e necessidades da vida sabiam que poderiam contar com os
seus amigos e até perdoavam as suas falhas. Experimente ser assim e verá
que dando tudo o que tem (amizade), mais ainda receberá. Entregue estes testemunhos que no
mínimo servem como que uma chave a alguém para dar início a uma
conversa sobre a sua terra. Pode começar por oferecer esta pequena
brochura e esperar para ver o que acontece... Trinhão, que futuro? Trinhão séc.
XXI? Trinhão, estás por aí? Não sei. Desculpem-me se coloco
a questão nesta forma, tentem compreender-me, mas faz sentido. Todos nós
sabemos que o ambiente de um forma geral no Trinhão está “pesado”.
Não tem nada a ver com a Direcção da Comissão, tem a ver com
pessoas. A colectividade não é mais nem menos, que a comunidade
organizada e coesa. Era suposto as colectividades GRT
e CPPT servirem para unir os trinhaenses e na prática existe uma fusão
teórica, mas, meus amigos ela ainda está longe de ser real. Não por
culpa das instituições mas porque a comunidade ainda não correspondeu
ao projecto na sua totalidade. Quando digo trinhaenses, não
digo uma parte, digo todos. Sabemos também que isso é impossível, mas
coloco aqui um pensamento: No passado como vimos, existia uma competição
saudável, em prol da mesma terra, e agora que no papel a fusão está
teoricamente feita, porque é que o ambiente não está “leve”?!... Quem pode pensar que o culpado é
o seu vizinho se continuamos a levar o resto das nossas vidas agarrados
ás falhas dos outros sem vermos as nossas. Não é correcto. Será que
não somos capazes de resolver os problemas internos sem perseguições,
chegando até ao ponto de recorrermos a meios legais? Em que gente nos
tornámos? Perdoem-me, mas a isso chama-se hipocrisia. No entanto, eu acredito que todos
os Trinhaenses têm coragem para parar e reflectir, esquecer o passado,
e apostar na mudança. Até mesmo esta desgraça do incêndio pode ser o
pretexto para todos nós colocarmos uma pedra no passado e renascer de
novo. Eu estou daqui desta forma a dar
esse passo, com o meu olhar sobre a terra que foi o meu berço. Eu sou apenas um dos fragmentos do Trinhão. Se todos nós idealizarmos que se juntarmos os fragmentos todos encontramos uma fotografia como na capa, então teremos um Trinhão unido e humano, para constituirmos uma comunidade familiar, para um dia deixarmos a nossa Terra um pouco melhor do que a encontrámos. |
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