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A DESERTIFICAÇÃO
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Enquanto o comportamento dos emigrantes do Trinhão
em Lisboa decorre da forma já Recuar nos tempos faz-nos bater o coração um pouco mais depressa quando as recordações vêm ao de cima. Quem ainda viveu nesta terra, se for capaz de parar um pouco e tentar viver a azáfama que se vivia, verificará que surgem questões de todo o tipo. Lembro-me de três estabelecimentos comerciais: o do meu avô, o "António Favas"; do "Lopes" e o do meu Pai, "Domingos Favas", que tinha também o "Munho" à entrada da povoação. O negócio da resina e da madeira em que o meu Pai e o meu Avô eram os principais industriais. A escola, com todo o rodopio que a miudagem trazia. A agricultura artesanal, o gado, e tudo o resto que uma comunidade exercia conforme as necessidades. De uma forma muito grosseira damos conta da vivacidade desta terra, onde se quisermos actualmente beber um café ou comprar um Kg de açúcar, simplesmente não é possível. É este contraste tão rápido e violento, mas real, que mostra o que, num espaço de quarenta anos, uma das maiores povoações do Concelho sofreu. No anexo B – Evolução Demográfica, vemos dados reais dessa desertificação, mas quando os lemos não damos conta do que se passou. É neste resumo bastante condensado que percebemos o que provocou tal fenómeno. O que fazer actualmente como combate a este flagelo
é o grande desafio, e é necessário enfrentá-lo. "Mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades", é verdade, e é necessário
actualmente adaptar esta terra á nova forma de vida dos Trinhaenses. É
sabido que não é possível criar formas de rendimento para todos, mas
é possível criar actividades que possam colocar o Trinhão com a vida
que ele precisa. Não é este trabalho que pretende dar sugestões,
mesmo que as tenha, mas sim sensibilizar e colocar todos quanto queiram
em diálogo permanente para criar plataformas de entendimento para a
recuperação desta aldeia. È sim meu dever alertar todos os
interessados que venham a fazer, ou o quiserem fazer, mas tal só é
possível se souberem manter as tradições das suas origens. A sua habitação característica, a língua, a gastronomia, a paisagem, o folclore, as tradições populares, são apenas alguns condimentos que fazem parte da alma do Trinhão. Não se deve copiar aquilo que os outros têm ou fazem desprezando o que é do Trinhão, porque em diversas leituras sociais está provado que todos quanto souberam preservar aquilo que é seu mesmo com algumas adaptações a vida dessas terras ainda se mantêm com vida. É possível combater a desertificação mantendo este sentido de vida, com as origens presentes no coração de todos, transmiti-las aos mais novos e cativá-los, para que em conjunto possamos iniciar a recuperação do Trinhão adormecido. A questão social é para mim uma das preocupações mais importantes, senão mesmo a mais importante. É para o apoio à terceira idade e aos mais necessitados que se deve convergir a maior de todas as preocupações. Basta para isso ter bem presente quem vive nesta terra durante a maior parte do ano e em que condições. O aparecimento do centro de dia já veio ao encontro das pessoas mais desfavorecidas, mas algo mais é necessário desenvolver para que outros apoios sejam satisfeitos. Para termos uma ideia mais real de quem reside actualmente no Trinhão, de forma a servir como base de comparação com a Evolução Demográfica, constante do Anexo B, passo a transcrever a lista dos residentes no Trinhão e Vale Porco em 2001, que foi elaborada para o colóquio "Trinhão – Que Futuro?!", pelo António Mendes Marmelo.
Conforme muitos familiares nossos estão por aí espalhados melhorando a sua qualidade de vida, também eu tive uma experiência maravilhosa de que muito me orgulho como Trinhaense. Como é do conhecimento geral, fui arrastado para Ferreira do Zêzere, e, entre a labuta agrícola em que me vi envolvido, surgiu a Rádio de Ferreira do Zêzere. No Emissor regional do Zêzere, do qual fui mentor, e tendo a honra de ter ao meu lado os irmãos Carvalheira entre outros de que muito me orgulho, e as mais diversas figuras politicas, intelectuais, e empresariais daquele concelho, deixei bem vincado o nome desta terra. Actualmente, na rádio que trabalha na FM frequência 102.7 MHZ, jamais alguém poderá apagar este feito. Isto para dizer que conforme eu apresento a minha experiência, acredito que outros valores de feitos, porventura maiores, por gentes da nossa terra não sejam por nós conhecidos, o que é uma pena. Tal como nos descobrimentos portugueses, é neste sentido que acredito que hajam por aí homens e mulheres a deixarem marcas bem patentes da sua capacidade. Como povo latino que somos é verdade que, sempre que algum de nós encontra algum "parente" por essas terras fora, o coração bate de alegria. Curioso. Dentro do que me chegou ao meu conhecimento, só uma família emigrou para o estrangeiro, os restantes ficaram por este Portugal. |
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