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INTRODUÇÃO
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Falta actualmente um trabalho completo e rigoroso sobre a origem do Trinhão. Passa despercebido para a maioria dos Trinhaenses que falar do Trinhão é falar da terra que foi uma das referências para todo o concelho de Pampilhosa da Serra e arredores como um exemplo de bairrismo que por sua vez deu origem ao tão conhecido e já esquecido regionalismo. Se eventualmente ainda encontramos alguma vivência, nada é quando confrontado com os momentos de grande glória pampilhosense, tomado como exemplo único para todo o Portugal. Sempre que tenho o prazer de encontrar um parente ao virar de uma esquina, vem a eterna pergunta: Tens ido á Terra? A partir daí começa o tremular sem fim. É quase como alimento para a alma. Mas nem todos têm essa sorte de ter alguém sempre à mão por este ou aquele motivo. A tecnologia da informação já nos prendeia de muitas formas: fotografia, vídeo, internet, jornais, e até com livros. Graças a Deus que já existem alguns no nosso concelho, mas tenho a certeza absoluta que são extremamente poucos para contar as coisas das nossas terras. E porque não é descabido afirmar que existe sempre alguém a colocar defeitos, ou a dizer que não serve (presta) para nada, afirmando até alguns "eu sei coisas mais interessantes do que isto", este trabalho de forma alguma deve ser submetido à prova, seja por quem for, na medida em que ainda está muito incompleto para que se atinja os objectos que eu pretendo. É basicamente um testemunho pessoal muito condensado do que me é possível descrever sobre a aldeia que me encanta a alma. Digamos que é quase uma confissão a alguém em quem eu confio para que me ajude a aliviar o fardo que trago comigo. Que leitura faria hoje do Trinhão se existissem escritos sobre essa origem?Imagine se cada um de nós conseguisse escrever tudo o que sabe e narrasse a sua experiência. Aí sim, acredito que começava a saber algo de mais concreto sobre a terra. Das coisas materiais, sob o ponto de vista documental e histórico já se encontra algo registado, mas da verdadeira história que eu considero, que são as pessoas, usos e costumes, a vertente sócio-religiosa, disso pouco ou nada se sabe. Este livro é assim, o pontapé de saída para que todos nós possamos dar a conhecer o que cada um de vós transporta dentro de si. Tenho a certeza absoluta que cada um de vós sabe mais sobre o Trinhão do que vão ler nestas páginas. A grande novidade que vos apresento é que com base no meu testemunho real, pretendo provocar o diálogo sobre a história real da aldeia da qual todos nós somos protagonistas ou dela oriundos. Quero desta forma sensibilizar-vos para a responsabilidade que todos nós acarretamos se não dermos a conhecer aos mais novos o que foi e é o Trinhão. O efeito da globalização está presente actualmente nas nossas casas, mas para o entender melhor, é importante saber o que se passou e o que se passa na nossa terra principalmente desde há cerca de 50 anos. De certo modo pretendo realçar a importância das colectividades na história e crescimento das populações. Mesmo sem receber delas a ajuda directa para a elaboração deste livro, deixo aqui expresso que as mesmas têm uma importância extrema na cultura popular e na história dos povos.
Dedico este livro ao meu irmão, não só porque esta edição só foi possível graças a ele, assim como é a única forma que encontro de lhe prestar homenagem pela sua dedicação e apoio que me prestou durante toda a vida. Pelo facto de ter comemorado recentemente o seu 50 aniversário, será também uma forma justa de afirmar publicamente toda a sua generosidade e paciência que teve até hoje para comigo. Quero aqui expressar a minha gratidão aos meus Pais pelos ensinamentos que recebi na minha formação como homem. Recebi do meu Pai a personalidade intransigente de lutador de chefe de família e da minha mãe todo o afecto e carinho verdadeiro que só é possível receber de quem tem amor sincero para dar mesmo renunciando-se a si próprio. Teria concerteza muitas páginas a escrever pelas histórias e momentos maravilhosos que a todos quanto comigo se relacionaram. Porque não quero melindrar ninguém se reconheço este ou aquele, e corro o risco de me esquecer de alguém, deixo-vos aqui um abraço de apreço bem profundo. Na generalidade todas as amizades acarretam momentos menos bons, no mesmo sentido de gratidão também aqui expresso todas as desculpas a alguém que tenha sido um fardo. Na omissão nesta rubrica de agradecimentos, não expressado especificamente, deve-se à sua não referência por uma questão de ética. Expresso um agradecimento especial ao apoio que tive na NBP – Produção de Vídeo, S.A. pelas pessoas de Bruno Miguel Santos pelo seu trabalho no apoio de fotografias e a elaboração da capa deste livro, assim como os apoios recebidos pelos meus superiores e colegas José Nunes e Nuno Pereira. Ao meu sobrinho e afilhado Gonçalo Lopes o meu obrigado pelo seu apoio no trabalho de preparação dos textos. Á tipografia na pessoa Sr. Colaço e seus colaboradores, pela oportunidade concedida na montagem e impressão deste livro. A todos quanto me apoiaram na recolha de elementos para este trabalho, obrigado.
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