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PREFÁCIO
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Caro(a) Leitor(a), Quero dar-lhe os parabéns e agradecer-lhe o contacto com este Livro. Dar-lhe os parabéns, porque vai ter oportunidade de descobrir ou reviver um pouco da realidade do nosso país, numa época que já faz parte da História, mas que continua viva e actual no que respeita ao desenvolvimento económico, social e humano e à defesa do nosso património. Agradecer-lhe, porque também faço parte do contexto em que o Livro se insere e sobre o qual o Autor teve a coragem de provocar a reflexão. Directamente ou indirectamente, muitos dos leitores participaram ou foram influenciados pelas vivências aqui relatadas e, ainda que não conheçam o Trinhão ou as pessoas citadas ao longo do texto, estou certo que acabarão por se ver envolvidos nos relatos apresentados e, dessa forma partilharem com o Autor e com os Trinhaenses a riqueza humana do seu percurso. Nascido acidentalmente na freguesia da Sé Nova, na cidade de Coimbra, pela mesma razão que a maioria dos Lisboetas nasceram na freguesia de São Sebastião da Pedreira, o MANUEL DA QUELHA viveu grande parte da sua infância no Trinhão, uma pacata aldeia do sul do concelho de Pampilhosa da Serra, entre o final dos anos 50 e a primeira metade da década de 60 do Século XX. Ainda aprendeu as primeiras letras na antiga Escola Mista do Trinhão, contactando a dura realidade da vida serrana numa aldeia predominantemente agrícola e de criação de gado, onde se destacavam alguns pequenos comerciantes. É a partir daqui que o Autor começa a sua história que se vai confundindo com a própria história do Trinhão e das suas Gentes que por essa altura estavam a debandar para a grande metrópole. Para o bem ou para o mal eu acabo por ser o responsável da vinda dos meus pais e do meu irmão (o Autor) nessa onda desenfreada que acabaria por conduzir à desertificação progressiva do interior e ao crescimento desgovernado do litoral e em particular da Grande Lisboa. Sem querer antecipar a história que o MANEL nos vai contar, destaco apenas duas facetas do seu percurso que não serão alheias à razão de ser deste Livro: 1.ª - A sua participação no Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, como Bailarino e como Ensaiador, revivendo as suas origens e defendendo com unhas e dentes os valores culturais da sua região; 2.ª - O lançamento e dinamização de uma Rádio Local, no concelho de Ferreira do Zêzere, onde os nossos pais tiveram casa e uma pequena "quintinha" onde passámos uma boa parte da nossa juventude. Ele foi sem dúvida a Alma do Emissor Regional do Zêzere, que ainda hoje está no ar na frequência 102.7, e onde mobilizou uma vasta equipa de colaboradores ganhando o "vício" da comunicação. Recentemente recomeçou os seus estudos na Universidade Católica de Lisboa e decidiu finalmente tomar a decisão em que vinha pensando há vários anos de escrever um Livro sobre o seu envolvimento na História do Trinhão. Estou orgulhoso pela sua coragem, agradecido pela sua mensagem e ansioso pelos seus efeitos junto dos Leitores. Começando nas suas origens, ou seja no Trinhão, podemos reviver ou ficar a conhecer muitos "fragmentos" dos últimos 40 anos da história desta aldeia e do seu povo, que o Autor personaliza, não para se promover pessoalmente, mas para dar maior autenticidade à realidade dos movimentos migratórios internos deste nosso jardim à beira mar plantado. O próprio título "Fragmentos do Trinhão" sugere várias leituras e estou certo que no final cada um (a) do (s) nosso (s) Leitores (as) terá encontrado a sua própria interpretação dos mesmos factos reais. Estes factos desenrolam-se em vários locais e ambientes, desde a Aldeia à Cidade, da pacatez de uma humilde Casa de Campo aos eventos sociais organizados pelo Grupo Recreativo de Trinhão ou pela Comissão Progressiva da Povoação de Trinhão. Ao longo de toda a Obra encontramos essas várias realidades e são talvez as mudanças de cenários e situações que tornam mais rico o conteúdo deste Livro. Aqueles que nasceram no Trinhão ou conviveram de perto com a realidade desta Aldeia ou dos seus anexos (Vale Porco, Grota e Fontes), ou simplesmente com os Trinhaenses, irão reviver parte das suas próprias vidas e terão certamente algo a dizer ao Autor e aos (às) Leitores (as). Quem nunca tiver estado no Trinhão, poderá imaginar-se num Romance ou num Filme, mas o mais provável é não resistir à tentação de querer conhecer pessoalmente os Locais e as Pessoas. Se tiver sorte e souber aproveitá-la pode até reconstruir alguns cenários que as Gentes do Trinhão, se quiserem, ainda podem fazer renascer. O objectivo do Autor não foi criar uma Grande Obra Literária, para os Críticos da Especialidade e para as Grandes Editoras, mas tão-somente a partilha de uma experiência riquíssima ao longo de uma vida com muitas dificuldades, obstáculos e desilusões. Mais do que uma conclusão, este Livro pode ser o ponto de partida e o incentivo para que o MANEL nos continue a dar o melhor que ele tem em prol dos outros, mas também para quantos (incluindo eu próprio) já pensaram em escrever reflectidamente sobre o Trinhão, mas não foram além dos historiais, notícias e programas de actividades das nossas Associações (GRT e CPPT). Apetecia-me dizer muito mais sobre o Trinhão, o Livro e as Pessoas que são a sua essência e a sua razão de ser, mas nada do que pudesse acrescentar poderá substituir o prazer que certamente irão ter com a leitura.
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