TRINHÃO SÉCULO XXI
 
NESTE CAPÍTULO
   

TRINHÃO SÉCULO XXI
FOGOS NO TRINHÃO
GLOBALIZAÇÃO
         (ENDEREÇOS)

top

 
 



 

50 Anos da Ronda de Trinhão   

Ronda do Trinhao  Casa do Jose Garcia.jpg (86273 bytes)Estamos no início de Junho, no fim do dia de trabalho, e, ao arrumar uns papéis, encontro alguns da comissão, e mais uma vez começam as recordações a tomar conta de mim. 

Sem perceber muito bem porquê, recordo-me de uma conversa que tinha ocorrido durante uma ronda com o António Marmelo, e mais tarde com o meu Pai. A ronda fazia 50 anos neste ano. A direcção estava de um certo modo desmotivada e cansada e tudo apontava para que a realização da festa corresse certos riscos. Ou não se fazia, ou repetia-se o que já tinha sido feito em anos anteriores. Dentro da boa vontade "atamancava-se" acima de tudo por uma questão de vergonha. 

Ocorreu-me naquele instante, e telefonei para o Manuel Marmelo, para o meu irmão, e, como as conversas são como as cerejas, umas puxam as outras, marcou-se um encontro informal no final dessa semana no Clube Operário, onde o Manuel "Pop" exercia uma actividade de hotelaria. 

Foi neste local que todas as reuniões se efectuaram. Quero deixar aqui um obrigado ao Manuel Brazuna Lopes da Quelha por nos ter dadoRonda na Grota.  ABRA A FOTO todo o apoio a esta organização para que pudesse dispor de um espaço de trabalho, para levar avante as tão conhecidas comemorações. 

Não deixo de lamentar as dificuldades que nos foram colocadas para a sua realização. Assim como as dificuldades internas, entre os próprios elementos, pois que as despesas previstas eram enormes e não tínhamos dinheiro algum em caixa. Entre o receio de uns e a perseverança de outros, as coisas avançaram. E, mesmo entre nós por vezes foi necessário tomar "atitudes" de um tipo para conseguir os objectivos. È saudável falar nestas coisas porque mesmo assim é prova que o mesmo amor pela terra é verdadeiro.  

Foi esse sangue frio encontrado, que nos fez lembrar, ou talvez tentar perceber, como seria carisma dos homens de então que fizeram o que todos nós sabemos, mas sem quaisquer condições, e enfrentado os problemas políticos que se viviam na altura. Isso sim, foi preciso coragem e determinação para desenvolver os trabalhos que se propuseram a desempenhar. 

Ronda no Terraco do Favas. ABRA A FOTOEm cerca de dois meses e meio, e por incrível que pareça, foi criada uma estrutura tão natural em termos de organização de trabalho, que cada secção desafiava a outra mostrando, como que uma espécie de competição saudável, o que cada um conseguia como meta de trabalho. Uma coisa maravilhosa que senti como elemento desta organização foi a confiança absoluta entre todos. 

Não resisto de aqui deixar bem expressado a minha gratidão ao Vitor Francisco, Rosa Brazuna, Sandra Silvério e Paula Francisco, pelo grande ensinamento que recebi deles pela forma tão empenhada como realizaram o trabalho desenvolvido. 

Para terem uma ideia, foram cerca de 3 semanas diariamente a efectuar uma busca intensiva na recolha de levantamento etnográfico para fazer prova dos 50 anos. Desde recolha de fotografias, pesquisa musical, entrevistas no Trinhão, trabalho de vídeo montado pelo Vitor, elaboração do cartaz, entre outros trabalhos intermédios. Foi desgastante, mas a satisfação comum foi gratificante. 

Nestas coisas de agradecimentos, um abraço muito querido, a todos quanto se entregaram sem receio, desde o peditório em Lisboa, recolha de publicidade e apoios da mais diversa ordem. 

Falar da ronda conduz-nos imediatamente à origem da festa do Trinhão. Para os mais alheios, as primeiras festas eram realizadas no Pardieiro. Por essas alturas vinha a Banda de Oleiros, que passava visita às ruas da aldeia. Os músicos começavam a tocar no cimo da aldeia e percorriam-na a pé a tocar músicas tradicionais anunciando o início da festa, sem no entanto entrarem dentro das casas. No fim da ronda as casas mais abastadas convidavam um ou mais músicos para almoçarem com a família. Ronda do Trinhao.jpg (56960 bytes)

Este início da história da ronda, permite-nos tentar perceber como evoluiu a festa até aos tempos de hoje. Dentro do que me chegou ao conhecimento, passou um ano pelo enxertado devido a desentendimento com o Padre de então. Sendo realizada na maioria dos anos junto à capela, tendo como cenário a casa da professora. Mudou-se para a escola, adaptando mais recentemente novas formas de festejos com a introdução de artistas, e fraquejando de certa maneira as raízes mais populares.  

Muitos de nós terão histórias maravilhosas para contar, concerteza cada comissão de festas de cada ano tem experiências óptimas. Deixo aqui um abraço ao Hermano Lopes Brito, pela amizade que me transmitiu e seus ensinamentos, quando fizemos parte da mesma equipa, mesmo que tenha corrido mal para mim, pela viagem foçada a Coimbra para pôr gesso num pé lesionado, e pelo obrigado da recepção com armónio às seis da manhã em casa da minha avó a Olinda. 

A ronda é de certa forma o grande pretexto que faz levar muita gente à aldeia por alturas da festa, sendo razão forte para que esta continue. Pena que corra o risco de ao longo dos tempos de começarem a escassear os tocadores e cantadores.  

Falar da própria festa é um tema interessante, na medida que é bom fazer ouvir todos os testemunhos. Nas comemorações dos 50 anos da Ronda do Trinhão, entre o que podemos encontrar nos anexos, no discurso que passo transcrição na íntegra ajuda-nos a lembrar como foram vividos aqueles momentos:   

Discurso de homenagem á ronda  

 

 Trinhão, 22 de Agosto de 1999

 

Sr. Presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra 

Sr(s) Presidente(s) da(s) junta(s) de freguesia de Portela do Fojo ( Machio e Pampilhosa da Serra)

Sr. Comandante dos bombeiros voluntários de Pampilhosa da Serra 

Sr(s) Representante(s) da(s) colectividade(s) regionalista(s) de ... 

Restantes convidados 

Srs. tocadores da ronda e acompanhantes

Minhas senhoras e meus senhores 

Jovens trinhaenses de todas as idades 

A comissão de festas agradece a vossa presença neste momento cultural e social ímpar da nossa terra. 

Desde 1932 que o regionalismo trinhaense realizou ou ajudou a construir obras importantes. 

A título de exemplo destacamos:

. A instalação de equipamentos para a satisfação de necessidades básicas do Trinhão e seus anexos (água, luz, arruamentos );

. A construção da escola primária, da nova capela, do cemitério e do lagar;

. A construção do recinto desportivo e a recuperação de espaços para a povoação (na eira, na escola e no lagar).

Quer a comissão, quer o grupo recreativo, organizaram inúmeros almoços, piqueniques, excursões, actividades desportivas e culturais, que muitos trinhaenses hoje recordam com saudade. 

O Trinhão teve uma participação activa em realizações conjuntas do movimento regionalista (estrada nacional 344, ponte de Álvaro, rancho folclórico e torneios de futebol da casa do concelho).

Mas o acontecimento que estamos aqui a comemorar é único na história desta aldeia e do concelho de Pampilhosa da Serra. 

O pessoal do Trinhão sempre teve um sentido crítico muito forte. As divergências entre pessoas por pequenas questões como a colocação de um marco a dividir duas propriedades ou uma palavra menos própria num momento de exaltação eram e por vezes ainda são comuns na nossa terra. 

Daqui resultavam atitudes de afastamento que era preciso compensar e ultrapassar. 

Quando há 50 anos atrás, o Sr. Manuel Sabugueiro, o Sr. Domingos Lopes da Quelha e o Sr. António Marmelo (aqui presentes), o Sr. Norberto do Canto, o Sr. António Pereira e todos aqueles que os quiseram acompanhar deram início à ronda, a situação era um pouco assim.

O Trinhão contava então com algumas centenas de residentes permanentes, a agricultura, a resina e a pastorícia eram actividades predominantes e o principal convívio dos jovens eram os bailaricos domingueiros em casas particulares e neste mesmo largo da cancela. 

Contaram-nos que chegavam a realizar-se aqui vários bailes ao mesmo tempo. Ao contrário dos dias de hoje esta era a zona mais movimentada da nossa terra.

Durante muitos anos e também hoje a ronda encerrou neste local a passagem por todas as casas que puderam e quiseram receber-nos. 

Por isso mesmo decidimos prestar-lhe aqui a nossa homenagem;

Desde o seu início que a ronda foi um acto espontâneo e anónimo. Quem a realizou nunca procurou louvores. 

Por isso mesmo e respeitando o sentimento dos seus iniciadores, quer os presentes, quer os que infelizmente já partiram, não vamos hoje aqui prestar homenagens particulares. Isso não quer dizer que todos eles não mereçam um grande aplauso de todos nós. ... (palmas)... 

Tudo começou num espírito de convívio e solidariedade que ainda hoje não tem impar em qualquer acontecimento que possamos realizar para os trinhaenses. 

O elemento essencial da ronda é a música tradicional (o harmónio, a guitarra, os ferrinhos e o pífaro, entre outros), mas também as cantigas de quadras populares.  

Foi por isso mesmo que escolhemos uma quadra para gravar neste pequeno marco histórico a nossa homenagem a todos aqueles que participaram na ronda: 

Ó meu lugar do Trinhão

Que um dia lá hei-de morar

No cimo ou no fundo

Ou no meio do lugar

Esperamos sinceramente que esta mensagem seja um incentivo, sobretudo para os jovens aqui presentes. 

Hoje em dia os trinhaenses vivem dispersos por muitas localidades, mas talvez possam sempre reservar alguns dias da vida absorvente da nossa sociedade para estar no Trinhão com todos os prazeres que esta terra tem e ainda pode vir a construir no futuro. 

Queríamos também que os trinhaenses soubessem que esta festa não surge por acaso. 

Há dois meses atrás a comissão estava e está sem direcção, o grupo recreativo está inactivo, as pessoas questionavam-se se haveria a festa anual. 

Em boa hora o Manuel Quelha recuperou a ideia de homenagear a ronda, que há 2 ou 3 anos atrás se vinha falando que estaria a completar 50 anos de existência, começando a contactar vários elementos com o único objectivo de realizar a festa e prestar esta homenagem.

Foi assim que se constituiu esta equipa que, além do Manuel, começou também com o Manuel Antunes, o Manuel Marmelo, o Vitor "Xouxas", o Manuel "pop", o Domingos "Estoura", o Norberto, o Anselmo e o José Domingues. 

Muitos outros colaboradores se lhes juntaram e a todos esta comissão agradece. Pedindo desculpa por qualquer omissão involuntaria destacamos a rosa, a paula e a xana, o angelo e a lina.

Todos nós só queremos uma coisa: que os trinhaenses saibam manter-se unidos e .que esta ronda nunca acabe. 

Esta será a maior homenagem que o Domingos "Favas", o Manuel Sabugueiro, o António Marmelo, o Norberto do Canto, o António Pereira e todos os outros que os acompanharam podem receber de nós. 

E terminamos com uma quadra cantada por outro grande animador da história da ronda, o saudoso "Estrofélico": 

Viva a ronda! Viva a ronda!

Amor do meu coração

Ai a roda que ela usa

Que é nossa tradição

A Comissão de Festas

 

Colóquio "Trinhão - Que futuro?!" 

 

Nada faria prever o que veio a acontecer em Torres Novas. Após o êxito e o avivar da chama com os 50 Anos da Ronda havia que deitar a mão á obra. Por um lado os elementos que compuseram a direcção em 2000 apareciam como que a melhor de todas as direcções. Agora é que o Trinhão fazia tudo e mais alguma coisa. 

Como actualmente nesta data são praticamente os mesmos elementos, tudo está em aberto, nada é impossível. Mas isso foi sempre um fenómeno infelizmente natural nestas coisas do regionalismo, não só no Trinhão, mas de uma forma geral em todo o concelho de Pampilhosa da Serra. Poucas vezes encontrei a humildade de se perceber que se não fossem todos os elementos do passado a trabalharem, pouco ou muito, porque as coisas valem o que valem, actualmente as colectividades não existiam. 

O resumo do que se passou foi publicado na imprensa regional, com o seguinte texto: VER AQUI   

Fogos em Trinhão   

 

Na hora do encerramento deste livro, vivem-se momentos da profunda tristeza na nossa Terra. Estamos no dia 1 de Agosto de 2003. Um incêndio começou no Machio que rapidamente atravessou a Serra e queimou tudo o que era verde à volta do Trinhão. 

Portugal atingiu uma temperatura acima dos 45 graus. Existem incêndios em 15 dos 18 Distritos deste País. Incêndios incontroláveis por esse país fora vão além das matas, deixando pessoas sem habitação e algumas até já perderam a vida. Temos aqui de um modo muito grosseiro a violência do fogo e do ambiente da nossa terra. Infelizmente já participei na ajuda do combate aos fogos na nossa terra em tempos passados. Penso que nenhum até agora fez estragos tão desastrosos como este ano. 

Por outro lado, reza a história que o Trinhão já viveu situações semelhantes a esta, e, todos souberam corajosamente enfrentar as mágoas e não se deixaram ir abaixo. Claro que é triste que nem uma couve é possível apanhar na horta para a sopa. É um símbolo relevante para ter consciência como é que o modo de vida de uma pessoa reformada fica de repente sem jeito, e isso é penoso para esta gente. Tal como os que já passaram por isso souberam e muito bem ultrapassar essas situações, acredito que também nos tempos de hoje o são capazes de fazer. 

Diz-se que as pessoas do passado eram mais amigas porque precisavam, mas penso que actualmente ainda mais precisam. Não é o facto de terem mais condições sob o aspecto materialista, nem terem mais dinheiro, é acima de tudo uma questão de carácter e de verdadeira amizade e relação de entre ajuda, trabalhando todos em espírito de comunidade. 

É neste carisma que deixo aqui este pensamento de alento para todos, que sejam capazes de se unir em volta do passado para criar o futuro. 

 

Globalização

 

O sentido de Globalização que actualmente é interpretado torna-se por vezes destorcido sobre o que ele na realidade significa. Era entendido que globalização seria a "plataforma de entendimento" entre as nações de todo o mundo, mas em primeira fase baseou-se essencialmente no intercâmbio comercial entre os grandes grupos económicos.

As coisas foram evoluindo, e o que está como elo de ligação das populações mundiais são as comunicações internacionais. O Trinhão não ficou para trás, há um ano iniciou a sua apresentação ao mundo numa página na internet, cujo endereço é trinhao.no.sapo.pt

Mas só é possível se todos nós tivermos acesso a essa forma de comunicação. É bom dar a conhecer ao mundo o Trinhão em qualquer lugar e a qualquer hora.

Crescer na era moderna é extremamente importante, desde que não nos esquecemos as nossas origens, muito menos a razão que nos une permanente através das novas comunicações. Progresso e desenvolvimento é crescimento, desde que as pessoas não se esqueçam de si próprias. 

Podemos analisar já a quantidade de "caixas de correio" ao nosso dispor para nos ligarmos à nossa terra:  

 Endereço:

 

Membros:  

Agata (Neta do Barril) marmela1@hotmail.com

Alda Brito Alda@papelariafernandes.pt

Ana Margarida Domingues anamdd@sapo.pt

Ana&JoaoBrito aejbrito@netvisao.pt

Anselmo G. Lopes Anselmo_Lopes@netcabo.pt

Anselmo Lopes anselmolopes@generali.pt

Antonio Costa – Sociologo antonio.costa@iscte.pt

Bruno Alves brunommalves@hotmail.com

Cristina Mendes cmendes@snucker.pt

Fernando Alves turisplan@clix.pt

Fernando Neves fernando-m-neves@telecom.pt

Gonçalo Lopes himura_kenshin@netcabo.pt

Ilídio Brito ibrito@portugalmail.pt

Inês Silva Alves hugger_mugger15@hotmail.com

Irina Francisco saofrancisco@netcabo.pt

João Manuel Brito jmbrito@eurociber.pt

João Paulo Cardoso cardoso@liscont.pt

José Domingues jsdomingues@netc.pt

Laura Correia lareta@sapo.pt

Lia Domingues lia_domingues@hotmail.com

Ludovina Lopes ludovina.cardoso@petrogal.pt

Luis Robalo luisrobalo@clix.pt

Manuel Brito Mendes Marmelo@net.sapo.pt

Manuel Brito Simões manuel.simoes@ine.pt

Manuel da Quelha manuel.quelha@netcabo.pt

Manuel José Caetano mcaetano@sapo.pt

Marta Lopes martalopes@netcabo.pt

Miguel Pontes Santos chicosantos@netcabo.pt

Mila Pontes pontesantos@netcabo.pt

Norberto Alves norberto.alves@clix.pt

Pedro Brito pedrobri@hotmail.com

Ricardo Garcia rcardo_jorge_garcia@hotmail.com

Rui Mendes (18) ruca18@sapo.pt

Susana Martins susanamartins10@hotmail.com

Vitor Francisco vitorfrancisco@sapo.pt  

 

 

SITE DA REDE DE SITES DA NET_PAMPILHOSENSE PARA QUALQUER ESCLARECIMENTO CONTACTAR O WEBMASTER